sábado, 21 de março de 2009

NARCISO NO ESPELHO

Estou sem espelho no escuro /
o relâmpago na noite negra tempestuosa /
o relâmpago reflete minha imagem de Narciso /
o raio que risca o céu na noite tempestuosa é meu espelho /
o raio o relâmpago o corisco o lampejo /
desenhando mapas de rios elétricos na treva espessa /
e minha face no espelho de água da chuva /
que chicoteia as trevas e a audição no escuro /
onde vejo refletida minha imagem de Narciso /
meus olhos de Narciso perdido no escuro /
envolto em trevas profundas das terras de dentro do sonho /
imersos nas águas das trevas /
boiando num navio fantasma com bandeira negra hasteada /
no rio ou no mar em que me afoguei /
nos olhos verdes sem esperança da suicida Ofélia /
a noiva triste e só de Shakespeare /
atirando-se nos braços da morte /
espelhada em loucura nas águas profundas do texto de Hamlet /
um mar oceano azul a pegar céus /
e emendar com mares /
a juntar a linha azul de céus e mares /
no derradeiro suspiro da flor murcha em Ofélia /
e da flor do Narciso /
com dois peixes de olhos dentro da água
namorados /
enamorados /
peixes namorados : /
Narciso e a noiva da morte /
ambos mortos na água /
fluido onde começa e termina a vida /
no fluxo e refluxo /
no fluir /
defluir /

Ofélia Shakespeare correndo louca e descalça /
pelas terras com trevos de trevas enlaçando-lhe os pés /
até afundar os olhos no espelho da água /
deixar rosto e cabelos dentro do arroio /
e olhos vidrados a flertar com Narciso /
no encontro entre água no espelho /
face rodopiante no redemoinho da torrente /
a flor efêmera do Narciso e da rosa de Ofélia /
exalando odores de estontear abelhas rainhas /
no beijo de Klint que os une /
em paixão que atravessa vida e morte /
paixão que sela com gládio e morte /
a flor do amor-perfeito /
do amor de Romeu e Julieta /
ou do amor magno de Cristo /
que se realinha em cada equinócio /
retorna em todas as estações de primavera /
na fênix que queima e se derrete em cinzas /
como o indivíduo na morte e decomposição da matéria /
para reunir todo o pó em cinzas /
e retornar à vida no veículo natural das espécies : /
o veículo cíclico da espécie /
que troca pele e vidas na exaustão da matéria /
fênix real e natural /
do símbolo para a realidade /
no coração de Julieta e Romeu /
no coração de Jesus /
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